O Guia para sua Escola lidar com o Bullying

O Guia para sua Escola lidar com o Bullying

Posted by: admin
Category: Comunicação Escolar

Bullying: ato caracterizado pela violência física e/ou psicológica, de forma intencional ou continuada, de um indivíduo ou grupo contra outra pessoa, ou grupo de pessoa, sem existir um motivo claro.

Com certeza a definição de bullying já não é mais novidade pra você, pelo assunto já ter sido bastante discutido na mídia e talvez também em sua escola.

O que acontece é que as gerações vêm mudando, e a revolução da tecnologia da informação a qual passamos foi muito rápida. A impressão é que nem tivemos tempo de nos preparar para tantas mudanças.

Vamos neste artigo discutir alguns tópicos e contar algumas boas histórias para ajudar sua instituição a lidar com este problema.

Bullying: um problema crônico nas escolas

O bullying na escola pode se manifestar de diferentes formas. E é importante estar ciente disso para poder identificar o que é bullying e o que não é.

As formas de agressão entre os estudantes podem envolver empurrões, pontapés, insultos, histórias humilhantes, mentiras, apelidos maldosos, ameaças e exclusão.

Entre os meninos, os ataques mais comuns são os físicos. Já as meninas costumam espalhar rumores ou ameaçar contar segredos.

Segundo a Unicef, uma em cada três crianças são vítimas de bullying no Brasil, o país com a quarta maior taxa do mundo.


O bullying interfere diretamente no desenvolvimento dos alunos. Normalmente, ele é cometido por estudantes com os piores desempenhos. Quem sofre a violência se torna mais inibido e também acaba por ter um pior desempenho.

A prática da violência em sala de aula faz com que o ambiente não seja saudável, e a inovação e a criatividade são desestimuladas.

A notícia boa é que com ações contínuas na escola, feitas em parceria com as famílias, esse problema pode perder muita força. E, quem sabe, não mais existir.

Leia também:  Como a comunicação entre pais e professores pode diminuir o bullying

Quais as consequências do bullying em crianças e adultos?

As consequências desse tipo de agressão são psicológicas. Podem causar baixa autoestima, dificuldade de socialização, dificuldade de aprendizado, ansiedade excessiva, medo e até mesmo o mais alto estágio da dor humana: depressão.

Entre os mais novos, pode gerar queda no rendimento e também evasão escolar, já que com isso a criança quer apenas se afastar da escola.

Por essas e outras razões, o problema não pode ser ignorado.

Como identificar se é bullying?

A parte difícil do problema é que muitas vezes o agredido opta pelo silêncio. Por sentir vergonha ou por sentir fraqueza.

A importância de uma comunicação efetiva entre a escola e os pais é para ajudar a identificar situações assim.

Se a criança está mais irritada ou mais quieta que o normal, procure abrir o diálogo com o jovem para descobrir o que está acontecendo.

Vale também dar uma espiada em sala de aula para ver se existe algo estranho ocorrendo.

Veja também: 

Como usar a agenda digital para fortalecer a parceria com os pais?

Reúna os pais para discutir e educar sobre o bullying

Os agressores são as crianças ou jovens que têm relações familiares conturbadas e normalmente são aqueles que têm as piores notas.

Logo, a escola pode fazer muita coisa boa a fim de evitar este mau. Mas o protagonismo continua sendo das famílias.

É impossível fazer com que todas tenham em casa os valores com os quais sonhamos, mas podemos estimular e buscar conscientizar sobre o problema.

Sem buscar fazer julgamentos, mas ouvindo, compreendendo e procurando ajudar. Assim fica mais fácil criar uma relação de parceria com as famílias.

No aplicativo da escola, busque enviar mensagens educativas sobre o assunto.

Se ainda não aborda o assunto no dia a dia da instituição, talvez seja interessante enviar uma pesquisa pela Agenda Digital para avaliar o nível de conhecimento que os pais têm sobre o tema.

A tecnologia ajuda, mas não há ocasião melhor para tratar do assunto do que as reuniões escolares. Nela você pode explicar o conceito e o que as famílias podem fazer para que o problema seja evitado.


Temos que ensinar as crianças a terem empatia

A prática do bullying nada mais é do que um reflexo de uma incapacidade de se ter empatia. Outra boa notícia é que ela pode se ensinada.

Daniel Goleman, pesquisador de Harvard, e Peter Senge, Professor do Massachusetts Institute of Technology (MIT), se uniram para escrever o livro Foco Triplo: uma nova abordagem para a educação.

Na obra, defendem que a sociedade deve ajudar crianças e jovens a desenvolverem o foco em diferentes esferas para que estejam aptas a viver em harmonia e a tomar decisões que preservem o mundo.

Em entrevista ao site da Época, Daniel afirmou que há uma grande variedade de conceitos, ferramentas e estratégias pedagógicas para aperfeiçoar estas habilidades nas crianças.

No entanto, nenhuma escola, entre as quais observou pelo mundo, parece estar explorando essas possibilidades.

Ele cita um exercício interessante que consiste em organizar as crianças em uma roda de conversa para que cada uma expresse como está se sentindo.

Esta simples atitude faz com que os estudantes criem o hábito da autoconsciência. Nomear as emoções com precisão ajudam a ter maior clareza acerca do seu íntimo.

Como ensinar as crianças a terem empatia?

A escola pode sim ensinar as crianças a cultivarem carinho e compaixão umas com as outras. Na educação infantil isso pode ser até mais simples e trazer benefícios ao longo de toda a jornada escolar.

Sobre a empatia, Daniel Golehman afirma que não se trata apenas do exercício mental de se colocar no lugar do outro, como também de estar pronto para ajudar.

Em um estudo feito em Princeton, estudantes receberam a missão de dar um sermão, pelo qual seriam avaliados.

Metade desses alunos se prepararam para dar o sermão do Bom Samaritano, que conta a história de um homem que parava para ajudar um estrangeiro na beira da estrada.

Após um período de preparação, cada um dos alunos se dirigia a um prédio diferente para dar o sermão. No caminho, passavam por um homem curvado e que gemia de dor.

Os pesquisadores queriam saber se o estudante pararia para ajudar, mesmo estando sob pressão da avaliação e do tempo (tinham que chegar no horário).

Entre os que estudaram o Bom Samaritano, o número de alunos que se ofereceram a ajudar o homem foi 50% maior do que os que receberam sermões aleatórios.

Incrível, não?

Atenção ao uso das redes sociais pelas crianças e jovens

É necessário também uma conscientização dos alunos e das famílias sobre os usos das redes sociais e internet.

Como observa o psiquiatra André de Mattos Salles, ao site do Senado nesta matéria, há 20 anos o bullying era um problema restrito a determinados contextos.

O desentendimento ocorria na escola, e quando chegava em casa a criança estava em uma zona fora de perigo.

No entanto, agora com as redes sociais ele pode continuar recebendo ameaças, sendo exposto a conteúdos vexatórios durante 24 horas.

Logo, este uso deve ser acompanhado para que a saúde mental dos alunos seja afetada.

Tina Meier conta no Ted Talks como perdeu sua filha Megan, que morreu por suicídio em decorrência do ciberbullying. Veja mais a seguir.

A história comovente de Megan

A partir do dia que sua filha de 13 anos, Megan, tirou sua própria vida por um ataque virtual desprezível, Meier tem compartilhado com o mundo sua triste história, transformando o conhecimento de milhares de pessoas sobre o tema.

A dor foi o que motivou a criação da Fundação Megan Meier, e ela viaja como palestrante por vários lugares para falar sobre bullying para alunos, educadores, gestores escolares, pais, entre outros profissionais.

Megan já tinha um histórico de depressão e já tinha passado por várias situações de bullying durante a vida escolar. Depois de mudar de escola, começou a evoluir, se sentir alegre, e criou uma conta no My Space (uma rede social muito famosa nos EUA naquela época), em 2006.

Ela começou a interagir com um rapaz, que lhe fazia muitos elogios,e com quem tinha muita afinidade. No entanto, após algumas semanas, este perfil começou a fazer ofensas humilhantes, insinuando que ninguém gostava dela, que não tinha amigos, que era gorda…

Megan não aceitava porque até aquela pessoa, com quem vinha tendo um bom relacionamento por alguns dias, lhe tratava daquela forma. E acabou não suportando a dor.

No final das contas, o perfil era apenas um fake de uma mãe de uma colega de Megan, que quis supostamente se vingar dela por ter discutido com sua filha.

A mãe da garota vítima acredita até que eles nunca imaginariam que o fim seria este, e por isso reforça o quão essencial é conscientizar: ninguém nunca sabe o que se passa na cabeça do outro.

O maior conselho que ela dá para os pais e educadores em relação às crianças vítimas de bullying é que eles realmente ouçam as vítimas. Que ouçam e validem seus sentimentos.

Quando os adultos em quem a criança confiam não param para ouvir ou não validam seus sentimentos, a sensação das vítimas é que ninguém no mundo se importa com elas.

A história é triste, o final é trágico, mas todo o aprendizado de Meier pode ajudar a transformar muitas mentes.


Filme Extraordinário: uma lição comovente sobre bullying

Outra lição que pode ser muito educativa é a do filme Extraordinário.

Na ficção é contada a história de um garoto que nasceu com uma deformação facial, o que fez com que passasse por 27 cirurgias plásticas.

Aos 10 anos, pela primeira vez frequentará uma escola regular, como qualquer outra criança.

A partir de então passa a lidar com vários desafios, pela sensação constante de ser sempre observado e rejeitado por todos à sua volta.

A história se desenrola de forma que a criança consegue superar os obstáculos e ser reconhecido pelos seus valores.

E fica claro como os julgamentos podem ser prejudiciais e atrapalhar o desenvolvimento das crianças. Um filme válido para ser mostrado nas escolas, como também para indicar que as famílias assistam junto às crianças.

O filme está disponível para compra ou aluguel no youtube.

E aí, gostou das dicas e histórias? Não deixe de compartilhar, discutir, debater com os colegas de escola, pais e alunos. Assim as soluções podem se tornar mais claras e efetivas.